A CORREÇÃO LINGUÍSTICA E GRAMATICAL

Além das questões de sintaxe, há ainda a considerar aquilo que muitos gramáticos chamam de correção de linguagem.

O conceito de correção está vinculado ao padrão da língua culta e em geral se identifica a preceitos e normas gramaticais. Hoje em dia, o conceito de correção é muito mais flexível e liga-se mais ao conceito de adequação da linguagem. A linguagem deve ser adequada ao assunto, ao ouvinte ou leitor (aquele a quem falamos ou escrevemos), à situação, etc.

O uso da língua está na dependência de:

1. fatores individuais;

2. influência da língua popular (os usos);

3. interferência das diferenças regionais ou locais.

Para padronizar esses desvios existe a gramática, que funciona como uma disciplina normalizadora.

Muitas vezes, sobretudo no caso da língua literária, infringe-se a gramática; o que deve servir como orientação, aí, é o bom gosto de quem utiliza a língua. Naturalmente, certos desvios lingüísticos dos escritores (que têm a seu favor a autoridade), se usados indiscriminadamente, podem aparecer como erros, na língua comum.

Há, no entanto, alguns critérios que deverão ser respeitados caso se queira obter um bom desempenho lingüístico. São eles, basicamente, os critérios de correção quanto a:

1. Emprego do plural (atendendo-se aí ao plural e às questões de concordância verbal e nominal, verificando-se sobretudo os nomes compostos).

2. Emprego do gênero.

3. Formas verbais.

4. Formas pronominais.

O uso dos pronomes pessoais oblíquos exige atenção especial. Igualmente os pronomes de tratamento, que são de uma complexidade particular.

Não saia por aí falando besteiras nos concursos


É exatamente pelo fato de lidarmos na vida diária com o instrumento peculiar à literatura, a linguagem escrita, que tantos embarcam na ilusão de que escrever dispensa iniciação, aprendizado e disciplina de suas aptidões. Sem um mínimo de noção do que seja a literatura, e até mesmo do que seja sintaxe ou ortografia, o diletante sai a todo vapor para começar por onde os outros acabam. E o resultado é a eclosão, aqui e ali, das mais desastrosas improvisações.
(Fernando Sabino, Deixa o Alfredo falar!)

Palavras de Fernando Sabino sobre a escrita

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As cartas de leitores que recebo, na sua maioria, se não vêm logo acompanhadas de uma produção literária qualquer, revelam uma pretensão de escritor em perspectiva, tentando originalidade, ou querendo parecer natural. Os poucos que se salvam da mediocridade valem mais pelas qualidades humanas que por uma vocação para a literatura. A estes, eu diria que para se realizar integralmente como homem, ninguém precisa ser artista, e muito menos escritor.

(Fernando Sabino, Deixa o Alfredo falar!)